Para qualquer hora sem hora marcada. Um espaço pessoal e de partilha variada. Com deambulações poéticas pelo meio e todo o género de afins. Desentorpecid(a)mente.
Friday, April 29, 2016
Thursday, April 21, 2016
tudo flui.
"Existem almas que nos fazem acreditar que a alma existe.
Tudo flui.
A alma assiste, imóvel, à passagem das alegrias, das
tristezas e das mortes, de que se compõe a vida. Nao julgues. A vida é
um mistério, cada um obedece a leis diferentes. Acredita na eficácia da
morte do que queres para participares do triunfo do que deve ser.
O teu
corpo composto - tres quartos de água, mais um punhado de minerais
terrestres. E essa grande chama em ti de que desconheces a natureza. E
nos teus pulmões, sorvido e libertado sem cessar no teu torax, o ar,
esse belo estrangeiro, sem quem não podes viver."
(Marguerite Yourcenar e
Jeanne de Vietinghoff)
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| ©Sebastião Salgado |
Thursday, April 14, 2016
Tuesday, March 29, 2016
Monday, March 21, 2016
coisas simples.
trouxe nuvens de todas as cores e feitios.
os corpos estão mais quentes, as almas menos ventosas.
as nuvens hamornizam as cinzentudes das suas amigas mais densas e o peso das expectativas diminui e serena o coração.
a Primavera é mudança, é o renascer da morte anunciada pelo Inverno, é o enterro das ventanias e o cultivo da mudança que já acontece.
a Primavera é deliciosa e imprevisível.
conjuga o friozinho do Inverno que se despede e acolhe o soalheiro abraço da timidez do sol que quer avançar pelas nuvens: umas mais claras, outras menos, umas turquesa, outras azul-bebé, outras cristalinas e celestiais, outras douradas de um Sol a querer ir repousar. quando a trovoada se esconde numa nuvem além ao fundo, o laranja suspenso no céu avança pelo cinza e a miscelânea criada é delícia escondida à vista que pode enganar e preferir o azul brilhante.
a Primavera são todas as cores.
é sinestesia e vontade de mergulhar na proximidade de uma natureza que nos pode passar (muito) ao lado, no lufa lufa urbano, de quem acredita nunca estar no presente e não ter tempo para aquilo que devia ser um investimento no tempo.
as coisas mais simples e belas são feitas de nuvens.
e as nuvens também têm o silêncio que a música pode trazer.
... ... ... ... ...
Nota: E que melhor que combinar a chegada da
Primavera com este delicioso álbum de Zero7, "Simple Things". Que bom
que é resgatá-lo do baú do início dos anos 2000 e saboreá-lo com outra atenção.
Nem melhor, nem pior, apenas outra atenção. Porque as coisas mais belas são
mesmo as mais simples...
Thursday, March 3, 2016
Tuesday, February 23, 2016
coração e mente.
O que chamamos “Coração”
é mais que afectos.
O que chamamos “Mente”
é mais que ideias.
Sejamos Coração que pensa
e Mente que sente.
(José Arregi)
é mais que afectos.
O que chamamos “Mente”
é mais que ideias.
Sejamos Coração que pensa
e Mente que sente.
(José Arregi)
Tuesday, February 16, 2016
Andamos todos de coração apertadinho e não dizemos a ninguém.
Andamos todos de coração fraquinho e não dizemos a ninguém.
Andamos todos a correr para lado nenhum mas convencidos que para todo o lado.
Andamos todos de coração apertadinho mas proclamamos disponibilidade em todas as direcções.
Andamos todos de vendas e olhos fechados mas a espreitar por todas as janelas alheias.
Andamos todos querer saltitar e sair mas ficamos seguros no ninho confortável do receio e do medo.
Andamos todos a respirar inquietude e a declamar serenidade.
Andamos todos em contra-tempo quando o tempo nos pede tempo.
Andamos todos a querer amar sem saber como.
Andamos todos metidos para dentro, ainda que aliados à exposição.
Andamos todos por aqui ainda que acreditemos que estamos mais à frente.
Um passo mais à frente. Um passo mais atrás. Um passo para o lado, para o outro lado.
Para aqui, para acolá. Andamos todos sozinhos, no meio da confusão
Andamos todos à procura do nosso passo.
Um passo em direcção aos afectos.
Andamos todos de coração apertadinho e não dizemos a ninguém.
Um passo em direcção aos afectos.
Andamos todos de coração apertadinho e não dizemos a ninguém.

Thursday, February 11, 2016
gosto cada vez mais dos cinzentos.

Gregory Colbert [Ashes and Snow]
Gosto cada vez mais
dos cinzentos.
Nem preto, nem
branco.
A cinzentude do mar em dias de Inverno que
nos abraça como que num gesto reconfortante.
A variação
cromática e o degrade do nosso alfabeto emocional (ainda que muitas vezes a
percepção seja de analfabetismo emocional total).
O suspenso da
velocidade dos dias que correm e a indefinição do infinito.
A mancha míope das
certezas que, impermanentemente, confundem os ritmos do corpo, do coração.
Gosto da quietude
da impermanência,
de saborear cada momento com a serenidade ou excitação
volante desse instante.
Uma quietude de
quem, garantidamente, não sabe o
momento seguinte.
Uma quietude
inquieta de quem reconhece as palpitações intermitentes do seu lugar no espaço.
Uma quietude de
quem aprende que tudo tem potencial de passar e perder a força de outrora.
Gosto de cinza e de
púrpura, dos tons violeta com que podemos filtrar a realidade e memórias
afectivas: limpá-las e resgatá-las do “vazio” e do “peso” que lhe atribuímos,
que carregamos, muitas vezes sem noção de que elas estão cá. Gosto do púrpura
dos dias como este, em que o cinza irrompe serenamente, sem o peso do Inverno
nos olhos. Sem o peso de quem não sabe onde está, mas sente-se melhor do que já
foi.

Gregory Colbert [Ashes and Snow]
somos peritos a afastarmo-nos de tudo o q somos. e quando mais precisamos de ser. sempre precisei de escrever e, se antes o fazia com regularidade, numa outra altura afastei-me e só o fazia como analgésico. quase que algo muito "teen", até, agora q olho para trás. mas penso q já na altura tinha alguma noção disso, tanto q pensava "porquê". gostava de escrever quando estou bem. e acho q só nos últimos anos o fui conseguindo fazer. numa escala muito menor mas alguma.
quando nos afastamos de determinado foco, podemos deixar a nossa própria essência em suspenso. como que sintomático de algo que não está onde devia estar. ou as coisas estão sempre no sítio certo e nós é que não? há dias, a caminho de uma aula de yoga, ainda que em contra-tempo, parei o carro durante 10mins, fui à beira-rio (que privilégio!) e despejei palavras com ou sem sexo. pouco importava. só mesmo a corrente fresquinha da orvalhada fora de hpras enquanto podia libertar-me mais um bocadinho. a palavra é terapêutica. surte efeitos a curtíssimo prazo. aliás, é mesmo uma libertação em tempo real. nem precisa de "curto espaço de tempo". a escrita dissipa o apego e sofrimento. potencia e ajuda à libertação. seja do q for.
nesse dia libertei os pretos e brancos e acarinhei os cinzentos num contemplado parêntese.
quando nos afastamos de determinado foco, podemos deixar a nossa própria essência em suspenso. como que sintomático de algo que não está onde devia estar. ou as coisas estão sempre no sítio certo e nós é que não? há dias, a caminho de uma aula de yoga, ainda que em contra-tempo, parei o carro durante 10mins, fui à beira-rio (que privilégio!) e despejei palavras com ou sem sexo. pouco importava. só mesmo a corrente fresquinha da orvalhada fora de hpras enquanto podia libertar-me mais um bocadinho. a palavra é terapêutica. surte efeitos a curtíssimo prazo. aliás, é mesmo uma libertação em tempo real. nem precisa de "curto espaço de tempo". a escrita dissipa o apego e sofrimento. potencia e ajuda à libertação. seja do q for.
nesse dia libertei os pretos e brancos e acarinhei os cinzentos num contemplado parêntese.
Friday, February 5, 2016
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