Monday, November 28, 2016

pudesse.

pudesse explicar a forma das coisas
e as coisas existiriam por si mesmas,
sem a palavra entrar e distorcer
a possível forma das coisas.
pudesse ouvir a interpretação das coisas
e as coisas planavam pela própria existência,
sem a existência do subjectivo,
da significância atribuída pelo torpor acelerado
da atribuição do significado.
pudesse a pragmática coexistir na ausência
e a semântica das coisas perder-se-ia na interpretação.
pudesse a existência existir sem ser
e a palavra ficaria aqui,
ausente de toda a carga que lhe atribuímos;
e as coisas ficariam por si,
puras, as coisas.
as coisas da pureza são puras só por si,
sem sistemas e descodificações do sentir,
onde a identificação com o dual não deixa espaço
para o pleno, para o existir sem existência.
onde os átomos se desdobram
nas formas simples das coisas.
pudesse aceitar a forma das coisas
e as coisas existiram por si mesmas.

Mora
21h15, 28 Nov. 2016

Friday, November 25, 2016

Do you remember we are dying?

Ask yourself these two questions: Do I remember at every moment that I am dying, and that everyone and everything else is, and so treat all beings at all times with compassion? Has my understanding of death and impermanence become so keen and so urgent that I am devoting every second to the pursuit of enlightenment.

(...)

Western laziness consists of cramming our lives with compulsive activity, so that there is no time at all to confront the real issues.

Sogyal Rinpoche

Tuesday, November 15, 2016

menina.

que música linda. 
que poema bonito.



Menina assenta o passo
sem medo ou manha,
ou muito te passa da vida.
Tem que a ver quem faça
o que muito queira.
Caminha sem falsa fascinação.

O teu coração
ainda pára,
forçando a apatia p'lo medo de dançar.
Não se avista um dia
em que o ego não destrate
uma mais bela parte
escondida em ti.

Menina sê quem passa p'ra lá da ideia.
Quem muito se pensa fatiga.
Nem vais ver quem são,
seus olhos no chão,
os que andam p'ra ver-te vencida a ti.

O teu coração
sem querer dispara
força e simpatia ao Ser que te vê dançar.
Vai chegar o dia em que o medo não faz parte
e, por muito que tarde, esse dia é teu.

Desfaz o Nó,
destrava o pé,
desmancha a traça e avança.
Chocalha o chão,
esquece os que estão,
rasga o marasmo em ti mesma.

Vê corações,
na cara que pões,
vira do avesso esse enguiço.
Desamordaça a dança pra te convencer.

O teu coração
sem querer dispara
força e simpatia ao Ser que te vê dançar.
O teu coração ainda pára,
forçando a apatia p'lo medo de dançar.

--
Márcia e Samuel Úria

Friday, October 28, 2016

desconstruir a meditação.

Brilhante. Tão "simples". E porque... meditação não é aquele clichê de super-mega-hiper-concentração/abstracção, em posição de lótus e añjali mudrã/ :)


Monday, October 24, 2016

As coisas mudarão por si mesmas.



[in A Borboleta Voando no Vazio de Lié Tzu e Chuang Tzu]

Tuesday, October 4, 2016

distância e proximidade.

"chegar à proximidade da distância"

(Heidegger)


Friday, September 30, 2016

Uma coisa é o amor, outra é a relação.

Uma coisa é o amor, outra é a relação. Não sei se, quando duas pessoas estão na cama, não estarão, de facto, quatro: as duas que estão mais as duas que um e outro imaginam.

Paulo Lobo Antunes (2004)

Wednesday, September 28, 2016

mindfulness, um super poder.

Incrível, penso que esta animação acerca do poder transformador do "mindfulness" chegou através de uma newsletter do Ekhart Yoga. Estas animações estão incrivelmente bem feitas, altamente sucintas e bastante bem explicadas... Lembram-se de uma a falar da empatia?

Esta fala do super poder que é conseguir praticar "mindfulness".



Thursday, August 25, 2016

"Vê moínhos? São moinhos. Vê gigantes? São gigantes."

A trovoada acontece.
Ocorre.
Vai passando, vai ocorrendo. Passa. Tudo passa.

Até o Agosto mais quente pode ter as nuvens mais cinzentas prontas a libertar. E como sabe bem libertar.
E a trovoada deste Agosto traz-nos, por vezes, trovoada dentro de nós. Mas... Tudo passa... Da mesma forma que as formas que os nossos olhos vêem num dia são diferentes noutro dia. Ou diferentes das dos outros. Para uns são moínhos, para outros são gigantes.

... ... ...

IMPRESSÃO DIGITAL

Os meus olhos são uns olhos,
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem lutos e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão
            In Movimento Perpétuo (1956)

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