Monday, November 18, 2013

serindipidade...será (mesmo) por acaso?

 "O acaso só favorece a mente preparada." (Louis Pasteur) 

Porque as coisas boas são mesmo para partilhar. Estava a espreitar umas receitas e ler uns artigos quando me deparo com esta frase,
" Nos templos Zen tradicionais no Japão e China, por exemplo, os cozinheiros eram os monges mais avançados do templo, e a culinária era apelidada de “arte para o desenvolvimento da consciência”. " *

Já Hipócrates dizia algo como, "Que a comida seja teu alimento e o alimento tua medicina".

E o tal projecto interessantíssimo é a MacroExotic! ;)


* a frase acima parafraseada está no artigo, "Comer Bem", de Francisco Varatojo.

Friday, November 15, 2013

"andamos aqui a dar empurrõezinhos uns aos outros sem sabermos..."

A propósito de um blog inspirador que, gentilmente, partilharam comigo há muito pouco tempo, vou "parafrasear" uma frase já conhecida mas, muitas vezes, esquecida... ;)


Tuesday, October 15, 2013

Friday, July 5, 2013

inspira, expira.

 "Wheat fields at auvers under clouded sky" (Van Gogh)

respirar.

Sunday, June 16, 2013

"A banalização é sempre tarefa de quem banaliza e não do objecto banalizado."

Um domingo pouco soalheiro e um passeio pela web. Coisa fantástica, a aleatoriedade da(s) rede(s). 
Um feliz encontro com este texto do José Luís Peixoto. E que vontade de partilhar.


Luta de classes

Não contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contrário, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito.

A cultura é usada como símbolo de status por alguns, alfinete de lapela, botão de punho. A raridade é condição indispensável desse exibicionismo. Só pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa colecção de símbolos é descrita com pronúncia mais ou menos afectada e tem o objectivo de definir socialmente quem a enumera.

Para esses indivíduos raros, a cultura é caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, convém não haver misturas. Conheço melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no início da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escritórios for vista a ler um determinado livro nos transportes públicos, os snobs que assistam a essa imagem são capazes de enjeitá-lo na hora. Começarão a definir essa obra como "leitura de empregadas de limpeza" (com muita probabilidade utilizarão um sinónimo mais depreciativo para descrevê-las).

Este exemplo aplica-se em qualquer outra área cultural que possa chegar a muita gente: música, cinema, televisão, etc. Aquilo que mais surpreende é que estes "argumentos", esta forma de falar e de pensar seja utilizada em meios supostamente culturais por indivíduos supostamente cultos, e só em escassas ocasiões é denunciada como discriminadora do ponto de vista sexual ou social.

Isso são livros de gaja, dizem eles. Às vezes, para cúmulo, há mesmo mulheres que dizem: isso são livros de gaja.

A raiz da minha cultura não pertence ao elitismo. Tenho orgulho das minhas origens, do meu avô pastor, do meu pai carpinteiro, como outros têm orgulho dos seus longos nomes compostos.

Depois de um trabalho que encerre convicções profundas, que tenha em conta os princípios da sua área artística, que seja consciente da história dessa área e que faça uma proposta coerente e inovadora, acredito na divulgação o mais ampla possível.

Esconder uma obra em tiragens de 300 exemplares não lhe acrescenta um grama de valor artístico. Quando essa falta de divulgação resulta de uma escolha, pressupõe, quase sempre, falta de consideração pelo público, a crença de que um público mais vasto seria incapaz de entender tamanha sofisticação.

Acredito que a poesia pode ser publicada em caixinhas de fósforos, escrita com trincha ou spray nas paredes, impressa em t-shirts, afixada no facebook. Em qualquer um desses lugares, será diferente, mas em todos continuará a ser poesia.

É ridícula a ideia de que a divulgação deturpa. A banalização é sempre tarefa de quem banaliza e não do objecto banalizado. Quem não for capaz de convocar os seus sentidos e a sua razão para apreciar uma determinada obra, apenas por acreditar que se encontra muito difundida, tem problemas graves ao nível do espírito crítico e da isenção mais básica. Esse é um daqueles casos em que se aconselha a lavagem de olhos. É aí que reside a deturpação.

Admiro o povo ao qual pertenço. Não o povo mitificado, admiro o povo quotidiano. Gosto de ir a feiras. Gosto de comer frango assado com as mãos. Devo tanto à cultura deste povo como devo a Dostoiévski. Há alguns meses, a personagem de uma telenovela citou um poema escrito por mim. Toda a gente da minha rua viu e ouviu. A minha mãe ficou orgulhosa e eu também.

Chamo-me José ou, se preferirem, Zé. Desprezo o elitismo. O verbo não é exagerado, adequa-se bem ao que sinto.

Hei-de sempre divulgar o meu trabalho na máxima dimensão das minhas capacidades. Devo esse esforço à convicção que tenho naquilo que escolhi dizer. Fico feliz se vejo os meus livros disponíveis em supermercados, estações de correios, bombas de gasolina ou bibliotecas públicas.

Aquilo que faço não existe sozinho, precisa de alguém que lhe dê sentido, o seu próprio sentido e interpretação pessoal. Se uma árvore cair sozinha na floresta, sem ninguém por perto, será que faz barulho? Por esse motivo, o esforço de divulgação é também uma mostra de respeito para com essas pessoas, é um sinal da minha crença nelas e no seu valor. Exactamente como estas palavras, que existem porque estás a lê-las.

Escrevo romances, a minha força de vontade é enorme. Tenho 38 anos, conto estar por cá durante bastante tempo. Tenho ainda muito por fazer. Habituem-se. Não tenho medo.

José Luís Peixoto, in revista Visão (Maio de 2013)

Monday, March 11, 2013

Essa, a memória.

A memória pode ser um vislumbre, uma impressão, uma partida que o ego não queira assumir. A inexistência de memória alguma. A franqueza de uma construção inconsciente selectiva ou a hipocrisia do sub-consciente. 
  A memória, essa que desdenha de nós, das nossas acções quando o seu companheiro, "o esquecimento", grita.

  Essa, a memória, faz de nós heróis ou vítimas. Bons ou maus. Comuns ou especiais. Prega-nos partidas, devolve-nes sorrisos, provoca-nos desconfortos ou conforta inseguranças.
        
 É manhosa, traiçoeira, mas também amiga e companheira. Para o melhor e pior, depende dos mecanismos, das pré-disposições, dos processos que contribuem para padrões. 
                Actua no sítio certo ou não. Confunde-se com indolor. Tem um efeito adrenalina, nostálgico ou, simplesmente, quando falha, deixa-nos sem norte.
Causa constrangimentos, também, e por vezes.

 A memória, ainda que trabalhada, faz-nos tropeçar.
É um tratado de emoções, tropeções e músculo.


(inspirada por um excerto de um livro de J.Rentes de Carvalho)


Fev.2013



Friday, February 22, 2013


Há alturas em que o melhor é mesmo inverter posturas.

Thursday, December 6, 2012

antes teor que teorema.

"Antes teor que teorema
vê lá se para além de poeta
és tu poema"


(Agostinho da Silva)
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