Para qualquer hora sem hora marcada.
Um espaço pessoal e de partilha variada.
Com deambulações poéticas pelo meio e todo o género de afins.
Desentorpecid(a)mente.
Estava a trabalhar para uma cadeira, quando me mostram um determinado site com este anúncio, o qual não escapou logo de um printscreen muito ranhoso, à altura do próprio anúncio. Dedico-o a todas as pessoas que se esfolam por terminar uma licenciatura/mestrado na área, onde me incluo. É deveras, entusiasmante e incentivador, podermos encontrar estas pérolas no mercado de trabalho. Até me apetece empregar o adjectivo "seráfico" para esta proposta. É o sonho de qualquer um. Nem sei se fique contente, se triste por assumirem o termo "publi-reportagens". Qual ética, qual jornalismo. Será que oferecem estágios curriculares (nem ouso sequer pronunciar o termo "profissional", o que acarretava imediatamente uma remuneração - que blasfémia aos ouvidos dos empregadores!) nesta "empresa com vários projectos editoriais"? Mal posso esperar.
Há muito que isto acontece. Toda a gente o sabe e toda a gente o diz. Por aí.
Mas hoje, especialmente, irritou-me ver a 8465783658736874ª oferta de "emprego" não remunerada. Pelo que os candidatos podem sempre aguardar o "arranque comercial do mesmo". Suspirem de alívio, afinal há luz ao fundo do túnel. Ah, um pormenor apenas...Pedem-se pessoas com formação na área.
Chegamos a tal estado que os ditos empregadores acham-se em pleno direito de poder exigir, declarada e escandalosamente, pessoas formadas sem qualquer espécie de remuneração monetária, esta prevista por ....lei.
Ora bem, visto estarmos em CRISE há uma data de anos, apesar deste "recentíssimo" boom, atrever-me-ia a chegar à conclusão que na cabeça deles, o simples acto de dar "trabalho" a alguém, só pode ser um privilégio que esse mesmo alguém deverá encarar de sorriso na cara, enquanto suspira de alívio por não ter de enviar 735823789 CV's. De facto, isso sim é um "trabalho" dos diabos.
Salvé a resignação imposta. Salvé o novo paradgima do (des)emprego.